A margem de refino do diesel asiático com 10 partes por milhão de enxofre superou US$ 87 por barril em 16 de setembro, maior nível da série citada pela Reuters. Antes da guerra, o indicador girava em torno de US$ 22, e o recorde anterior, registrado em março, era de US$ 85,60. A margem não é o preço do combustível na bomba: ela mede a diferença econômica entre o derivado e o petróleo usado para produzi-lo.
Refinarias asiáticas elevaram o processamento de petróleo e a produção de diesel, e parte do excedente passou a viajar para mercados mais distantes, como a África, em resposta à escassez ocidental. Ainda assim, poucas unidades ofereciam cargas avulsas para outubro, enquanto tensões no Oriente Médio mantinham o risco de interrupção nas entregas de petróleo às refinarias.
No mesmo dia, o Brent caiu 2,7% e fechou a US$ 105,83 por barril após a Arábia Saudita oferecer mais petróleo por uma rota via Omã, fora do Estreito de Ormuz. O alívio no petróleo não eliminou o aperto do diesel: a Reuters relata restrições russas às exportações e refinarias afetadas por ataques. Para o Brasil, importador de parte do diesel consumido, margens internacionais elevadas podem pressionar o custo de reposição, mas o repasse interno também depende de câmbio, impostos, política comercial e medidas governamentais.
Pontos principais
- A margem asiática do diesel de baixo enxofre superou US$ 87 por barril, acima do recorde anterior de US$ 85,60
- O Brent recuou a US$ 105,83 após novas ofertas de petróleo saudita por Omã
- O possível efeito no Brasil depende também do câmbio, dos tributos, da política comercial e das medidas domésticas
